Situação semelhante também está acontecendo com os sistemas de gestão empresarial (ERP, do inglês, Enterprise Resource Planning). O ERP pode ser considerado o “sistema operacional da organização”, pois está na base dos processos e atividades da empresa. Os outros sistemas devem buscar a integração com a plataforma de ERP adotada, tal como acontece nos aplicativos desenvolvidos para Windows, Linux, ou outro sistema operacional.
Quando falamos de ERP, a SAP é sem dúvida a empresa líder no segmento de grandes empresas [1]. Segundo dados de uma recente pesquisa realizada pelo Gartner Group, a SAP lidera o mercado mundial nos segmentos de ERP (27,5%), CRM e SCM. Ou seja, barba, cabelo e bigode! O ERP pode ser considerado o principal sistema interno de uma empresa, enquanto que os sistemas de CRM (clientes) e SCM (fornecedores) suportam as principais relações com o ambiente externo. Por esse motivo, nessa postagem usarei a SAP como exemplo.
Os investimentos das organizações com sistemas ERP de grande porte geralmente ultrapassam dezenas ou centenas de milhões de dólares. Por isso são de longo prazo e de grande relevância para outras ações na gestão de TI.
Se isto é verdade para os sistemas internos da organização, também é uma realidade para os sistemas externos. Fornecedores e parceiros que efetuam transações com a organização principal também precisam se comunicar com o padrão do sistema SAP. Embora todos saibam que camadas de interface sejam facilmente desenhadas para acomodar diferentes aplicações, níveis mais complexos de integração são mais difíceis de serem obtidos desta forma. Integrações mais sofisticadas vão além da simples troca de dados entre aplicações, abrangendo regras de negócio interdependentes e arquiteturas de informações compartilhadas. Assim, quanto mais “SAPability” for a aplicação, maiores os benefícios que podem ser obtidos, tanto em termos de gestão de TI quanto de negócio.
A “SAPability” é particularmente importante para empresas que estão sujeitas as influências de organizações mais fortes, dentro da cadeia produtiva. É normal que empresas com maior poder na cadeia imponham seus padrões para o restante dos parceiros. Desta forma, quanto mais preparada a empresa menor estiver para se integrar tecnologicamente, maiores são as chances de parceria, manutenção e expansão do relacionamento com organizações mais fortes.
A adoção de certas tecnologias em conformidade com organizações mais fortes ao longo da cadeia não é algo novo, a exemplo dos sistemas de EDI [2]. Por isso os gestores de TI devem antecipar os movimentos da cadeia e alinhar-se com as exigências do ambiente externo. Cada vez mais o desenvolvimento da TI terá que considerar a aderência aos requisitos externos, principalmente de empresas maiores e das quais a organização depende.
A respeito da integração inter-organizacional a SAP tem focado esforços no desenvolvimento de produtos para empresas menores e oferecido incentivos financeiros
Embora não seja o único fator determinante para a adoção de novas tecnologias, com certeza o poder de influência das grandes empresas é uma variável importante a ser considerada pelos CIOs.
André Santos.
Referências
[1] - Análise aponta SAP como líder mundial
[2]
[3] – A SAP Amplia sua Presença no Brasil
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